Como lidar com os altos e baixos da vida



Nossa vida é repleta de imprevistos, altos e baixos, como uma montanha russa. Coisas boas e ruins acontecem, independente da nossa vontade. Dificuldades que se apresentam a todas as pessoas, na maioria das vezes de forma surpreendente, que causam angústia, tristeza, raiva ou medo. Muitas vezes somos surpreendidos e ficamos atordoados sem saber o que fazer, sem chão, confusos. Mesmo quando somos pessoas organizadas, temos metas, projetos, quando a vida “apronta” com a gente, parece que não sabemos o que fazer, que não sabemos nada.

Temos dificuldade em lidar com o imprevisto, principalmente, se não for algo favorável, como a perda de um ente querido, o término de um relacionamento, uma demissão, a traição de alguém que considerávamos um(a) amigo(a) ou mesmo em situações previsíveis, porém, novas, como o primeiro dia na escola ou uma nova escola, faculdade, primeiro emprego, uma prova; e até coisas boas como uma promoção, um novo amor, a entrada do filho na faculdade, nossas emoções entram em ebulição, nosso pensamento fica acelerado, por vezes, confuso.

Entretanto, algumas pessoas conseguem lidar com essas situações com mais facilidade do que outras, elas possuem maior habilidade em se adaptar as circunstâncias da vida. A capacidade de adaptação que se tem diante dessas situações é que faz com que essas pessoas as superem.

O modo como lidamos com as situações e mudanças que a vida nos apresenta, vai depender da construção do conhecimento de cada um, de nossas crenças, nossos valores, nossos afetos. Para o psicólogo Jean Piaget (1896-1980) nosso conhecimento é construído por descobertas que fazemos. Somos estimulados pelo meio em que estamos inseridos e interagimos com ele, através da nossa percepção e ação. Essa construção demanda de um processo interno de reflexão. A partir disso desenvolvemos um mecanismo auto-regulatório, um processo adaptativo. Independente do evento, vamos observar, dar um significado (positivo ou negativo) e desenvolver uma ação. Todo esse processo vai envolver e desenvolver raciocínio e emoção.

A vida psíquica utiliza esse processo de adaptação sempre que somos surpreendidos por uma mudança. Piaget chamou de assimilação a “tentativa do indivíduo em solucionar uma determinada situação a partir da estrutura cognitiva que ele possui naquele momento” e “acomodação a capacidade de modificação da estrutura mental antiga para dar conta de dominar um novo objeto de conhecimento.” A adaptação “diz respeito à funcionalidade do indivíduo e à sua capacidade de ajustamento aos diferentes desafios e circunstâncias da vida”.

Ter qualidade de vida vai depender muito da nossa capacidade de adaptação. A interpretação e o comportamento apresentado em cada situação ou evento é muito particular, uma vez que cada indivíduo vai utilizar seu conhecimento e afeto, cada um dará um significado personalizado. A cada experiência apresentamos estratégias de comportamento diante da necessidade de mudanças, aprendendo a identificar experiências de satisfação e a lidar e tolerar experiências de sofrimento psicológico.  Não desenvolver a capacidade de adaptação faz com que o sofrimento psicológico se torne inevitável e destrua a qualidade de vida. Para Piaget todos os homens possuem capacidade de adaptação.

Referências:

(Este texto foi publicado pela primeira vez em meu site anterior, vaniasantos.blog, em 25/01/2018)

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